Não quero deixar de registar este post ... um dia terá valor ... um dia será de extrema importância para mim.
A gravidez foi planeada a dois, não a três.
Nunca confrontei a Matilde com o facto de poder ter um irmão/ã, é certo de que houve alturas em que ela me pediu um mano e que me deixou bastante convencida com o facto de saber o que isso implicaria.
Pois bem desde o dia da confirmação da gravidez ela alterou ... pouco mas alterou, acredito que faz parte do processo.
Na escola ela começou a retratar o que iria acontecer quando o bebe nascesse ... a própria educadora alertou-me para o facto de ela estar a viver intensamente a gravidez e a ideia de ir ter um mano/a.
Fiquei feliz ao ouvir isto ... pensei imediatamente de que tudo iria correr bem, muito bem.
A Matilde nunca foi uma criança de mostrar grandes afectos a terceiros ... faz a mim e ao pai sem qualquer barreira, pois somos os pais e reforçamos constantemente de que as manifestações do carinho são um acto natural para quem amamos.
Ela nunca manifestou vontade de beijar a barriga ... nem de lhe fazer qualquer carinho, nunca forcei.
Havia dias em que como quem não quer a coisa ela vinha ter com a barriga, sempre com uma desculpa do género ... tapar a barriga, dar uns apertos com os dedos dela ... enfim o importante para mim é que ela tocasse e senti-se a barriga.
Agora para o fim da gravidez, ela aproxima-se mais um pouco, já coloca a mão em cima dela para que possa sentir a mana ... e como ficam felizes os seus olhos quando sente que a mana mexeu.
Não deixa registar o momento de afecto com a barriga ... foge da foto, fica envergonhada.
Sempre pensei que nestes oito meses a minha filha tinha crescido positivamente ... pois olhava para ela e sentia diferente, mais menina crescida ... mais independente em certas situações.
Pois bem a minha segurança foi abalada ... no dia em que se começou a colocar no meu quarto a alcofa e o muda fraldas a Matilde teve uma reacção como nunca pensei vir a presenciar.
Chorava sentida ... não queria a mana no meu quarto, queria que ela fosse para o dela ... por mais explicações que lhe dei ela não queria entender, ou então não conseguia ...
O meu coração parou, gelou de pânico ... só pensava como vou ultrapassar esta situação??
Enquanto eu falava com ela calmamente e lhe explicava como iriam ser as coisas ... fiz-lhe uma pergunta ... "Tens medo do quê filha?" ela responde que tem medo que eu deixe de gostar dela quando a mana nascer, por ela ir dormir no meu quarto comigo ...
Abracei-me a ela como nunca ... como se o meu abraço pudesse ajudá-la a ultrapassar a sua insegurança ... meu Deus como chorei em seco e gritei no silencio do momento ...
A verdade é que não sei como lhe dizer ainda mais que a AMO que ela é a minha VIDA o meu AR.
E a Joana ainda não nasceu ... tenho medo, sinto-me insegura ...
Conseguirei ser uma boa mãe para elas??


